terça-feira, 16 de maio de 2017

IV FLIC-ES terá a participação de 75 autores capixabas



A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) vai se transformar em um universo de livros e seus diversos formatos na IV Feira Literária Capixaba (FLIC-ES), que começa no dia 17 de maio e vai até o dia 21, das 9h às 20h. Com entrada é franca, é uma ótima opção para todos os públicos e idades.


O evento vai ter a participação de mais de 75 autores capixabas, 12 palestras (palestrantes da cena local, dos Estados Unidos, Rio de Janeiro e São Paulo), 12 mesas redondas (48 participantes), 15 contadores de histórias da capital e interior e mais de 120  pessoas envolvidos nas atividades culturais que ocorrem durante a feira como exposição de arte, contação de histórias para crianças, oficinas e muitas atrações no palco principal, desde música até danças folclóricas e regionais. A FLIC-ES atinge em média 10 mil visitantes entre alunos de escolas públicas do Estado, universitários e um público diversificado (crianças, jovens e adultos).



O evento, que tem apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), foi idealizado em conjunto pela Academia Feminina Espírito-santense de Letras, Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e Academia Espírito-santense de Letras, com apoio institucional da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).



Homenageada do Evento



Maria Stella de Novaes foi membro de diversas instituições culturais – como o Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo – e é uma das fundadoras da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras. Publicou livros sobre botânica, pedagogia, história, folclore e literatura. Nasceu na cidade de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, em 13 de Agosto de 1894 e faleceu em 1981. Estudou no Colégio Nossa Senhora da Penha, em Cachoeiro de Itapemirim, e Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Vitória. Fez ainda cursos especiais de pintura, piano, violino, francês, inglês, italiano, pedagogia, filosofia e liturgia. Foi professora de desenho, caligrafia, ciências naturais e história natural. Representou o Espírito Santo em diversos congressos. Recebeu prêmios e condecorações além de diversos diplomas acadêmicos.



Serviço



Quarta-feira (17)



Lançamento de livros: 9h, 14h e 18h

Tenda principal
9h - Mágico Rodman
9h30 - Contação de Histórias: Neusa Jordem e Wanda Alckmin
 12h30 - Apresentação musical: Jeane Ponsen
14h - Mágico Rodman
14h30 - Contação de Histórias: Sandra Freitas
15h - Projeto Dança - Lei Rubem Braga
16h - Contação de Histórias: Fábio Pererê e Claudia Viúva Negra
Auditório Do CCE
9h - Palestra: “Teses já produzidas sobre a Literatura do Espírito Santo” - Taiga Scaramussa
10h - Mesa Redonda: “As Acadêmicas da AFESL: produção literária e lançamentos “Denise Nascimento Moraes Monteiro; Neusa Jordem; Silvana Sampaio Soares; Ester Abreu V. de Oliveira, Regina M. Loureiro; Ailse Cypreste Romanelli; Neusa Glória Santos, Wanda Walchimin, Gilceia Rosa de Souza. Mediador: Marcos Bubach
15h30 - Palestra: “A produção do teatro infantil do Espírito Santo” Renato Saudino XXX
16h30 - Leitura Poética com Suely Bispo: “Poemas de Miguel Marvilla”. 17h30min - Mesa Redonda: “A AEL seus membros e suas produções e lançamentos” Marcos Tavares, Getúlio Neves, Álvaro Santos, José Roberto Neves, Ester Abreu V. de Oliveira, Pedro Nunes Mediador: Anaximando Amorim
19h - Cerimônia Oficial de Abertura da IV Flic-ES – Maria Stella Novaes Presidente da Academia Feminina Espírito-santense de Letra e Coordenador Geral do IV Feira Literária Capixaba Professora Dra. Ester Abreu Vieira de Oliveira Declamação: “Cordel: Maria Stella Novaes” – Kátia Bobbio
19h45 - Palestra: “Maria Stella Novaes: uma pioneira em várias frentes” — Fernando Antônio de Moraes Achiamé.


Quinta-feira (18)



Lançamento de livros: 9h, 14h e 18h

Tenda principal
9h - Balé Infantil com a Academia Erica Marchiose
9h30 - Contação de Histórias: Neusa Jordem e Silvana Sampaio
12h – Apresentação musical: Bernardo Santos.
13h - Forró Bem Ti Vi
14h - Apresentação Ballet Liviane Pimenta
14h30 Contação de Histórias: Alzira Bossois
15h30 - Ginástica Rítmica (PMV SEMESP)
18h30 - Coral das Contas
19h - Espetáculo teatral: “O tratador de Estrelas”
Auditório do CCE
9h30- Mesa Redonda: “O soneto e a trova desenvolvidas no Espírito Santo” Wilberth Claython F. Salgueiro, Paulo Roberto Sodré, Matusalém Dias de Moura Mediador: Casé Lontra Marques
11h - MESA Redonda: “Arte e Ciência na produção cultural do Estado” Wilson Coelho, Cesar Cola, Erildo Denadai Mediador: Sonia Maria Costa Barreto
14h - Palestra: “Poemas visuais e concretos” Douglas Salomão
15h - Palestra: “O mercado literário e a demanda” Caco Appel
16h - Palestra: “O mercado de Arte e seus Desdobramentos” Dayse Egg de Resende
17h - Palestra: “O cinema no Estado: Produção. Difusão. Dificuldades’ Gilsara Mattos Côrtes, XXX, Mediadora: Valentina Ivanovna Krupnova
19h - Mesa Redonda: “A literatura e a cultura afro-indígena no Espírito Santo e abrangência” Adilson Vilaça, Rodrigo Lopes de Barros, Mediador: Manoel Góis da Silva


Sexta-feira (19)



Lançamento de livros: 9h, 14h e 18h

Tenda principal
9h - Contação de histórias: Tiana Magalhães, Grupo chão de Letras - Viagem pela Literatura
10h- Contação de histórias: Turma do Frederico - Cleyton Passos
12h30 - Atração musical: André Prando
14h - História do Boi Graúna
14h30 - Contação de histórias: Edna Brandão e Maria da Penha, Grupo Chão de Letras – Viagem Pela Literatura.
16h – Apresentação musical: FAMES
17h30 - Apresentação do Cantor Carlos Bona
18h- Projeto O Prazer da Leitura- Rede Sim e Programa Sim para a Literatura
20h - Sarau: Academia de Letras de Vila Velha
Auditório do CCE
10h - “A literatura produzida para o mundo infantil” José Arrabal
15h - Palestra: “A disseminação da literatura nas escolas: ações e dificuldades” Maria Amélia Dalvi Salgueiro
16h30 - Mesa Redonda: “Leitura, cultura e cidadania na proposta de extensão Reler & Fazer” (2017- 2018)” Orlando Lopes Mediador: Santinho Ferreira de Sousa 18h - Mesa Redonda: “Novas formas de distribuição e circulação literária” Saulo Ribeiro, Isaías Costa, Ivana Esteves Mediador: Edy Soares
19h - Mesa Redonda: “A cultura empreendedora e a infância” Cecília Bettero (Better Consultoria) Francisco Grijó (Sec PMV) Mediador: Saulo Ribeiro


Sábado (20)



Lançamento de livros: 9h, 14h e 18h

Tenda principal
9h - Contação de histórias: Eliana Zandonade, Grupo Chão de Letras – Viagem pela Literatura.
9h às 17h - Projeto Livros Gigantes – Lilian Menenguci
10h- Grupo de Dança Senior Amor e Arte – Serra
10h30 – Apresentação: Banda Mirim da Serra 1
2h – Apresentação: Cantor Cacá Marins
13h30min - Apresentação: Sanfona e Violão - Fabrica de Cultura – Castelo 14h00min - Contação de histórias: Valsema Rodrigues e Renata Nali
15h30- Apresentação: Grupo Folclórico de Reis - Serra
19h - Contação de Histórias: Mila Marques
19h Sarau Litero-musical - Academia de Letras e Artes da Serra
Auditório do CCE
9h30 - Palestra: “Mecanismo de apoio da gestão pública à produção literária no Estado do Espírito Santo” José Roberto Santos Neves
10h30 - Palestra: “A leitura e a escrita criativa na educação socioambiental” Renata Bomfim
11h30- Conversa com escritores: Orlandina Delapicolla; Willis de Farias Mediador: Paulo Roberto Ribeiro Walter de Negreiros
15h - Mesa Redonda: “Produção e atividades das Academias do Espírito Santo em prol da cultura e da literatura de seu município e lançamentos” Ibatiba: José Ribeiro; Iúna: José Saloto , Castelo: Maria José Vettorazi, Vila Velha: Horácio Xavier, Aracruz: Weber Müller, Serra: Paulo Roberto Ribeiro Walter de Negreiros Mediador: Clério Borges
17h - Mesa Redonda: “O IHGES e a divulgação cultural do nosso Estado” Walter Aguiar Filho, Vinicius Muline Mediador: Getúlio Marcos Pereira Neves
18h20 - “O acervo capixaba nas Bibliotecas” Rita de Cássia Maia e Silva Costa; Fábio Massanti Medina Mediador: Pedro Nunes


Domingo (21)



Lançamento de livros: 9h, 14h e 18h

Tenda principal
10h - Grupo de Dança Flamenca 10h- Contação de histórias: Aberto
10h30 - Palhaço Suspiro
13h30- Show De Grupos folclóricos de Araguaia – Marechal Floriano
14h - Trupe do Palhaço Mandioquinha
15h - Grupo Folclórico João Bananeira
16h30 –Mágico Mandrakeon
Auditório do CCE
10h - Encontro com escritores capixabas: Jéssica Sanz, Bernadette Lyra, Regina Menezes Loureiro Mediador: Ester Abreu V. de Oliveira
11h15- Encontro com escritores capixabas: Marcos Bubach, Edy Soares, Cinthia Pretti, Márcia Couto Zanandreia Mediador: Vinicius Molline
15h - Perfonrmance (Poema dramatizado): "Nuances Nossas", Eluza Santos e Maria Helena Braga baseado no livro de, "Lua Perfeita" da acadêmica Sônia Sancio Landrith.
16h - Encontro com escritores capixabas: Sebastião Ribeiro (Tião Xará), Sergio Quarto, André Soares Mediador: Marcos Tavares
17h- Entrega do Prêmio Capixaba de Literatura ( 3 Prêmios)
18h - Palestra: “Minha amizade com Maria Stella Novaes” João Eurípedes Franklin Leal (IHGES)
19h30 - Encerramento Sarau Lítero-musical de Alex Krüger e Beto Penedo Presidente da Academia Feminina Espírito-santense de Letra e Coordenador Geral do IV Feira Literária Capixaba Professora Dra. Ester Abreu Vieira de Oliveira, Vice Presidente Regina Menezes. Coordenadora do setor de Lançamentos e Autores capixabas.


Fonte: http://seculodiario.com.br/33987/17/iv-flic-es-tera-a-participacao-de-75-autores-capixabas

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Amanhã "O Tratador de Estrelas" em Afonso Cláudio/ES

Saudações estrelares, 

amanhã é dia de levar muitas estrelas para o Centro Cultural José Ribeiro Tristão, na cidade de Afonso Cláudio/ES. Estou animado com essa nova temporada do espetáculo "O Tratador de Estrelas". O que o teatro mais me proporciona é viajar e conhecer lugares - certo que será a segunda vez que vou à cidade. Porém, a primeira que apresento. 
Um céu forrado de estrelas para você!





quinta-feira, 4 de maio de 2017

Amanhã tem "O Tratador de Estrelas" em Jerônimo Monteiro/ES


Saudações estrelares,

amanhã é a vez do espetáculo "O Tratador de Estrelas"! Estamos iniciando a Temporada 2017! A primeira cidade a receber o espetáculo é Jerônimo Monteiro, no sul do Espírito Santo. Participaremos da comemoração dos 50 anos da Biblioteca Municipal! Estou animado em levar um céu forrado de estrelas para esta festa!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Os Saltimbancos

Olá pessoal,

depois de muito tempo após a estreia, venho falar um pouco do espetáculo "Os Saltimbancos". No começo deste ano iniciamos o processo de montagem desta peça. Além da direção do Tato Brasil, contamos com a a produção da Dana Oliver, ambos também atuam na produção. Franciely Sampaio e eu apenas desenvolvemos o nossos papeis de atores. E acreditem, cantores também! Foram muitos encontram e diversos almoços no domingo, regados a boas gargalhadas. 
Nós quatro nos conhecemos há mais de dez anos em Aracruz, e esse reencontro foi muito gostoso e importante, afinal de contas, já estamos com  ideias novas! 
O espetáculo produzido pela "Vão Brincar" contém um uma identidade inovadora desenvolvida pelo Tato Brasil. Vale a pena conferir! 

Dia 28 de Maio apresentaremos mais uma vez em Vitória! Maiores informações em breve na página da "Vão Brincar" no Facebook CLICANDO AQUI !

Seguem algumas fotos:




Ficha Técnica:
Texto (Adaptação): Chico Buarque
Direção: Tato Brasil
Produção Executiva: Dana Oliver

Elenco:
Jumento- Fábio Aiolfi
Cachorro- Tato Brasil
Galinha- Dana Oliver
Gata- Franciely Sampaio

Sinopse:
O espetáculo narra a história de quatro animais, que cansados de serem maltratados pelos seus patrões, decidem se aventurar rumo à cidade para se tornarem artistas. O Jumento, que não aguenta mais carregar peso, ser confundido com uma mula e não ser bicho de estimação, encontra pelo caminho o cachorro, a galinha e a gata, e juntos, decidem formar um conjunto musical e serem livres como verdadeiros saltimbancos.




segunda-feira, 20 de março de 2017

O Pastelão e a Torta em Marataízes/ES




Olá pessoal!
Tudo certo? Passando para avisar sobre nossa apresentação em Marataízes no próximo dia 25/03.  Será na Praça do Erivelton, às 19h. 

sábado, 17 de setembro de 2016

AGoulart

AGoulart 
(por Silvio Arruée)

Angela Goulart é artista plástica e fundadora da Associação Projeto Simbiose, que tem como finalidade a divulgação de todas as vertentes da Arte; incentivo a  leitura, e da cultura de um modo geral.
Desde a década de 80 produz a série “Poemas Postais” interpretando poemas e crônicas, de autores capixabas conhecidos pelo grande público ou não, com desenhos em nanquim. 
Angela Goulart  participou de inúmeras exposições no Espírito Santo em espaços alternativos numa busca incessante em levar a arte não apenas a frequentadores de galerias mas ao público em geral. 
Esse ano, AGoulart vem com nova proposta e, cria o livro artesanal “Poemas para Colorir, Desenhos para Rimar”. Essa ideia foi inspirada no livro de Johanna Basford, “Enchanted Florest” e, lançado no Brasil por algumas editoras, como livro para  colorir para desestressar adultos.
Nessa exposição proposta, os Poemas Postais, serão unidos em numero de vinte a 30, por blider clips, ou encadernados com espiral; prontos para serem coloridos, transformando-se em um livro artesanal. 
A opção do blinder clips poderá ser  feita para não danificar os desenhos com a encadernação tradicional; podendo assim ser emoldurados após coloridos.
Importante mencionar que os livros artesanais são únicos, ou seja, não existem desenhos repetidos, onde cada livro é um exemplar único.
A proposta vai mais além, pois além de apresentar o livro artesanal, traz poemas sem desenhos e desenhos sem poemas, na tentativa de interagir com o publica, de forma que cada um desenhe ou escreva durante o evento.
AGoulart traz poemas de autores e o pensamento vivo de artistas de várias vertentes das artes. São eles: Cláudia Colares (Artista Plástica), Geraldo Magela (músico), Ricardo Lemos (escritor e músico), Rogério Leoni (escritor), Wilson Coelho (escritor e teatrólogo), Paulo Stuck Moraes (escritor), Eliane Auer (escritora), Andra Valladares (escritora) entre outros. E a homenagem a Miguel Marvilla.



AGoulart escreve poemas:


Sou Cecília
Serena, assovio a canção de outono
Faço serenata a lua adversa que tanto brilha aqui.
Lua,  personagem e motivo dessa despedida,
Porque, não: já não falo de ti.
Motivo: me vi mulher no espelho.  Espelho cego!
O mundo dos homens me envolve
E me pergunto: até quando terás, minha alma, esta doçura.
Pergunto-te onde se acha a minha vida.
Ó meu Deus, todos acorram tristes
Conheço a residência da dor
Entre gargalhadas e a leveza
Contemplo com humildade a beleza da flor jogada ao rio
Minha herança é o amor
abraço um sonho antigo e a arte de ser feliz
"Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira.".
Assim, alguns dias caminho completa.
Em outros sou apenas ilha
Sou sonhadora, sou poeta
Sou Meireles, sou Cecília.

8 é de Março
Meu dia não é só hoje; abra espaço e me dê passagem.
Vou te contar minha saga; sente-se e prepare-se para essa viagem.
Atravessei fronteiras, corri, fugi, lutei para fazer minha historia.
Ganhei pedras, inveja e desrespeito. 
E como castigo, eu tive fogueiras, calúnias e preconceito.
Recebi dos homens a maldade, ferro, fogo, correntes, traição e agonia.
O dedo em riste acusador da sociedade cruel e vazia.
E mesmo atada, presa e amordaçada, cresci, estudei e reagi
Hoje sou emancipada! 
Entrei em locais proibidos, tive filhos, diplomas e maridos
Aprendi a ler, votei, ganhei o mercado de trabalho e o seu respeito
Aceite o fato: Consegui, vou mais além e agora não tem mais jeito.
Libertei-me do ócio e aceitei-me forte do jeito que sou
Ganhei o direito ao divórcio e adultério não é mais crime.
Você amante infiel, 
Já pode chegar mais tarde
E não me agrida, pois se agora sou vítima. 
Amanhã não temerei ser réu.
Comemore comigo meu dia.
Venci, essa é a verdade.
Não luto apenas por mim e sim pelos direitos de todos
Luto pelo direito à justiça para a humanidade
Meu dia não é só hoje.
Conquistei definitivamente meu espaço
Meu dia é todo o dia
Mas 8 ainda é de Março.



Conheça mais sobre AGoulart no Facebook 

A poesia como uma ferramenta de investigação do mundo


Praticamente desconhecida dos brasileiros até o lançamento de “Poemas”, em 2011, a polonesa Wislawa Szymborska rapidamente amealhou um significativo fã-clube. Prêmio Nobel de Literatura em 1996, ela tem um estilo peculiar, uma forma muito particular de usar a poesia como ferramenta de investigação do mundo. Falando diretamente ao leitor, a quem trata como um igual, sua linguagem é simples e próxima da prosa, e embora seus temas sejam muito variados, todos são como que irmanados pelo olhar da poeta, que combina o tom aparentemente informal ao rigor na construção dos versos. 

Escritos entre 1957 e 2012, em sua maioria desprovidos de qualquer adorno, os 85 poemas reunidos em “Um amor feliz” (Companhia das Letras, tradução de Regina Przybycien, 324 pgs. R$ 44,90) reforçam essa impressão de uma autora que incorpora à poesia não exatamente um método científico, mas a inquietação dos cientistas. Muitos poemas partem de uma indagação: uma vez apresentado o problema, verso após verso Szymborska o estuda e descama, até chegar, de forma geralmente inesperada, ao seu núcleo ou solução, que apontam para algum detalhe inusitado da natureza ou algum aspecto assombroso da vida cotidiana. O mesmo procedimento de observação e análise é aplicado a diferentes assuntos, da biologia à História contemporânea, da mitologia greco-romana ao significado do tempo e da memória, das relações afetivas a questões estritamente literárias, da incomunicabilidade entre seres humanos (ou entre seres e coisas) à indiferença do universo diante de nossos pequenos dramas e conflitos.

Capa do livro da polonesa Wislawa SzymborskaEm edição bilíngue, “Um amor feliz” também traz o discurso feito pela escritora ao receber o Nobel, no qual ela fala sobre o ofício do poeta: “O poeta, se é um poeta de verdade, deve repetir constantemente para si mesmo: ‘Não sei’. Cada poema seu é uma tentativa de resposta, mas, assim que ele coloca o ponto final, já o espreita a dúvida, já começa a se dar conta de que aquela é uma resposta temporária e totalmente insuficiente. E assim tenta mais uma vez, e mais outra, e depois os historiadores da literatura juntam com um grande clipe essas sucessivas provas de sua insatisfação consigo mesmo e as chamam de sua obra.”

Nascida em 1923, Szymborska passou a juventude sob um regime comunista, que apoiou nas décadas de 40 e 50, aderindo inclusive às premissas do realismo socialista. Até 1966 foi membro do Partido. A maturidade trouxe a desilusão com as consequências práticas do socialismo real em seu país, e aos poucos sua poesia se afastou, sem trauma nem alarde, de qualquer conteúdo político, ao mesmo tempo em que incorporava um senso de humor e uma ironia muito particulares. Em 1975 assinou a “Carta dos 59”, na qual os principais intelectuais da Polónia protestaram contra a submissão à União Soviética. 

Subvertendo convicções arraigadas, os poemas de Wislawa Szymborska buscam sempre uma compreensão alternativa das coisas, estabelecendo uma lógica e uma ética próprias. Outro aspecto de sua obra a ser destacado é o caráter narrativo de alguns poemas, com cenários, personagens e ação dramática (como em “Acontecimento” e “Medo do palco”). Avessa a badalações, grupelhos e eventos literários, Szymborska morou a vida inteira na Cracóvia, onde escreveu durante décadas numa revista literária. Morreu em 2012, aos 88 anos. 

Em um dos melhores poemas de “Um amor feliz”, Szymborska estabelece um diálogo com seu duplo para interrogar sua identidade e sua relação com o passado: “Adolescente” narra o seu encontro consigo mesma mais jovem, o que lhe permite observar como as duas são diferentes em seus gostos, convicções, interesses e até mesmo na escrita; as duas, contudo, têm algo em comum: o cachecol tricotado pela mãe – sinal de um laço profundo que a passagem do tempo não desfez. O poema termina assim:

          “Na despedida, nada: um sorriso casual
          E nenhuma emoção.

          Só quando some 
          e na pressa esquece o cachecol.

          Um cachecol de pura lã,
          Com listras coloridas,

         Tricotado à mão para ela
          Pela nossa mãe.

          Eu o guardo ainda.”








Fonte: G1
Link: http://g1.globo.com/pop-arte/blog/maquina-de-escrever/post/poesia-como-uma-ferramenta-de-investigacao-do-mundo.html

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Castelo Rá-Tim-Bum: agora todos os episódios estão na internet!


A TV Cultura disponibilizou em um canal do Youtube os 90 episódios completos de Castelo Rá-Tim-Bum, série produzida pelo canal entre 1994 e 1997. Também é possível assistir a alguns vídeos que apresentam os personagens da trama e as músicas que estavam inseridas na história.

Dirigido por Cao Hamburger, o programa infantil apresenta Nino, um menino de 300 anos que mora com seu tio Victor e a tia-avó Morgana. Por conta da idade, ele nunca frequentou uma escola e sente falta de amigos. Um dia, Pedro, Zequinha e Biba aparecem por lá e, junto com o aprendiz de feiticeiro, passam por inúmeras aventuras.

O canal já tem quase 60 mil inscritos. No elenco do programa estão nomes como Rosi Campos, Sérgio Mamberti, Cássio Scapin e o colunista da Crescer, Marcelo Tas. O programa ganhou até um exposição que agitou São Paulo.

Para assistir clique aqui.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Curiosidades/noticia/2016/09/castelo-ra-tim-bum-agora-todos-os-episodios-estao-na-internet.html

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Domingos Montagner "Ator de 'Velho Chico' morreu aos 54 anos"



Domingos Montagner, o Santo de "Velho Chico", da TV Globo, morreu nesta quinta-feira (15). Equipes de busca localizaram o corpo do ator de 54 anos, preso nas pedras, a trinta metros de profundidade, perto da Usina de Xingó, na Região de Canindé de São Francisco (SE). Domingos deixa a mulher, Luciana Lima, e três filhos.
Ele gravou cenas da novela na parte da manhã. Após o término da gravação, o ator almoçou e, em seguida, foi tomar um banho de rio.
Durante o mergulho, não voltou à superfície. Camila Pitanga, que estava no local, avisou à produção, que iniciou imediatamente a procura pelo ator. Helicópteros do Grupamento Tático Aéreo, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e pescadores ajudaram nas buscas.
Nesta semana, a novela também teve cenas gravadas em Piranhas (AL).

Começo no teatro e no circo
O ator paulistano começou sua carreira artística trabalhando no teatro e em circos. Ele atuou em treze programas de TV, entre séries e novelas, além de nove filmes.
Alguns papéis de destaque foram o Capitão Herculano Araújo de "Cordel Encatado" (2011) e o presidente Paulo Ventura de "O brado retumbante" (2012), seu primeiro protagonista.
Ele também chamou atenção como o Zyah de "Salve Jorge" (2012) e o João Miguel de "Sete Vidas (2015).
Montagner conta, em seu site oficial, que iniciou sua carreira no teatro, através do curso de interpretação de Myriam Muniz, e no Circo Escola Picadeiro.
Em 1997, formou o Grupo La Mínima, com Fernando Sampaio. A Noite dos Palhaços Mudos, de 2008, lhe rendeu o Prêmio Shell de Melhor Ator. Em 2003, criou o Circo Zanni, do qual foi diretor artístico.
O primeiro papel na TV foi no seriado "Mothern" (2006), do GNT, canal da TV por assinatura. A estreia na Globo foi também em seriados: "Força Tarefa", "A Cura" e "Divã". A primeira novela, "Cordel Encantado", foi em 2011. No ano seguinte, estreou no cinema, com uma participação no longa "Gonzaga - de Pai Pra Filho", de Breno Silveira.


Fonte G1
http://g1.globo.com/se/sergipe/noticia/2016/09/domingos-montagner-morre-aos-54-anos.html

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Paulo Coelho lança "A Espiã"

O mago Paulo Coelho, se consagra como um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Seus livros (que venderam milhões e milhões), já foram traduzidos para diversas línguas. 



Sua nova obra é "A Espiã", que conta a história de Mata Hari, uma dançarina que foi acusada de espionagem durante a Primeira Guerra Mundial. 



Adquira o seu!




Particularmente, Coelho é um de meus favoritos da literatura nacional. 







Eu li:
* O Diário de um Mago
* Brida
* O Alquimista
* Nas Margens do Rio Piedra eu Sentei e Chorei
* Onze Minutos
* Monte Cinco
* As Valkirias
* O Demônio e a Stra. Prym

Preciso ler os outros... Viva Coelho!





Si alguien llama a tu puerta - Gabriel García Márquez



Si alguien llama a tu puerta, amiga mía,
y algo en tu sangre late y no reposa
y en tu tallo de agua, temblorosa,
la fuente es una líquida de armonía.

Si alguien llama a tu puerta y todavía
te sobra tiempo para ser hermosa
y cabe todo abril en una rosa
y por la rosa desangra el día

Si alguien llama a tu puerta una mañana
sonora de palomas y campanas
y aún crees en el dolor y en la poesía

Si aún la vida es verdad y el verso existe.
Si alguien llama a tu puerta y estás triste,
abre, que es el amor, amiga mía.

1945

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Poema: Poeminha do Contra - Mário Quintana

Nico e Fulô "pousando" para a foto!

POEMINHA DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

#MárioQuintana

segunda-feira, 23 de maio de 2016

23 DE MAIO: COLONIZAÇÃO DO SOLO ESPIRITO-SANTENSE

A Bandeira do Espírito Santo.

COLONIZAÇÃO
Vasco Coutinho desembarcou na capitania em dia 23 de maio de 1535, desembarcando na atual Prainha de Vila Velha, onde fundou o primeiro povoamento. Como era oitava de Pentecostes, o donatário batizou a terra de Espírito Santo, em homenagem à terceira pessoa da Santíssima Trindade.
Para colonizar a terra, Vasco Coutinho dividiu a capitania em sesmarias - terras abandonadas e que, a partir da inclusão deste sistema, deveriam ser cultivadas, fomentando a agricultura e a produtividade. Esses "lotes" foram distribuídos entre os 60 colonizadores que vieram com ele. Como em Vila Velha não oferecia muita segurança contra os ataques dos índios que habitavam a região, Vasco Coutinho procurou em 1549 um lugar mais seguro e encontrou numa ilha montanhosa onde fundou um novo núcleo com o nome de Vila Nova do Espírito Santo, em oposição ao primeiro, que passou a ser chamado de Vila Velha. As lutas contra os índios continuaram até que no dia 8 de setembro de 1551, os portugueses obtiveram uma grande vitória e, para marcar o fato, a localidade passou a se chamar Vila da Vitória e a data como a de fundação da cidade.
Em seus 25 anos como donatário, Vasco Coutinho realizou obras importantes. Além da construção das duas vilas, também ergueu as duas primeiras igrejas locais: Igreja do Rosário, fundada em 1551 (ainda existente) e a Igreja de São João, ambas em Vila Velha.
Também foram construídos os primeiros engenhos de açúcar, principal produto da economia por três séculos. Uma iguaria que reinou absoluta até 1850, quando foi substituída pelo café. Em 1551, o padre Afonso Brás fundou o Colégio e Igreja de São Tiago. Foi esta construção que, após sucessivas reformas, transformou-se no atual Palácio Anchieta, sede do Governo do Estado.
Com a chegada de missionários, foram fundadas as localidades de Serra, Nova Almeida e Santa Cruz, em 1556. Dois anos mais tarde, a vinda de frei Pedro Palácios resultaria na fundação do principal monumento religioso do Estado: o Convento da Penha. Uma homenagem a Nossa Senhora da Penha, padroeira do Espírito Santo.
Presença Europeia
Nos primórdios da colonização do Brasil, a cruz e a espada marcam a presença europeia, símbolos da fé cristã e do poderio militar. No Espírito Santo, como em outras partes do Brasil que foram colonizados no século XVI, foram frequentes as lutas pela posse da terra com a Igreja Católica atuando no auxílio ao predomínio lusitano através da ação dos jesuítas e franciscanos responsáveis pela catequese dos índios e pela assistência religiosa aos colonos e de seus familiares.
O colonizador português, responsável pela disseminação do idioma e da fé católica, queria a terra para explorar, plantar e produzir, e, produziu também cultura deixada por tradição nas cantigas de roda, nas brincadeiras infantis, na vestimenta, na culinária e, na arquitetura. O Convento de Nossa Senhora da Penha é o monumento mais popular do Estado do ES. Outros remanescentes da arquitetura colonial portuguesa, como as igrejas, que pontificam o litoral capixaba, e as localizadas na capital, Vitória, e, o casario proveniente deste período, enriquece a herança cultural lusitana. Destacam-se a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e o citado Convento de Nossa Senhora da Penha em Vila Velha; a antiga Igreja de São Tiago, hoje Palácio Anchieta, sede do Governo Estadual, a Capela de Santa Luzia, a Igreja de São Gonçalo e a de Nossa Senhora do Rosário e o Convento de São Francisco e do Carmo na capital Vitória. No município de Viana há a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, e a Igreja de Araçatiba, que foi sede de fazenda jesuítica que mantinha um engenho com escravos, residência, senzalas e oficinas. Em Nova Almeida e Carapina distritos do município de Serra, ainda existem a Igreja e Residência dos Reis Magos, sede de uma Redução Jesuítica e a Capela de São João Batista, antiga sede de uma fazenda de jesuítas. Em Guarapari encontra-se a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e em Anchieta localiza-se a Igreja e Residência de Nossa Senhora da Assunção, que completa a herança colonial de tradição jesuítica no período colonial.
A arquitetura colonial secular e urbana, em Vitória está representada pelos sobradinhos geminados da Rua José Marcelino, localizados atrás da Catedral Metropolitana na parte alta da cidade. No bairro de Jucutuquara, a arquitetura rural do século XVIII encontra um exemplar no casarão onde funciona o Museu Solar Monjardin, antiga sede da Fazenda que pertenceu ao Barão de Monjardim. A defesa da entrada da barra era feita por fortalezas como a de São Francisco Xavier em Vila Velha e a Forte de São João ainda existentes.
Este legado cultural do período colonial é, sem dúvida, para as terras capixabas, o mais precioso patrimônio herdado do continente europeu. A partir de meados do século XIX quando o ES recebe grandes contingentes de imigrantes europeus este patrimônio se enriquece ainda mais. Na Europa ocorreram revoltas populares que visavam à unificação dos países que constituem hoje a Itália e a Alemanha. Estas guerras de unificação e o estabelecimento de um novo Estado geraram um grande empobrecimento, causando fome e falta de emprego à população pobre, mais notadamente a camponesa. Os governos desses países impunham "pesados tributos aos pequenos proprietários de terras, que, vivendo numa economia de subsistência e artesanal, eram incapazes de cumprir suas obrigações com o fisco". Esta situação, somado ao desejo de se conseguir riqueza fácil e farta, fez ocorrer uma emigração em massa de suas populações a outros países, onde até se ofereciam aos aventureiros lotes de terras tornando-os pequenos proprietários rurais.
Imigrantes
O Brasil, em particular, precisava de braços para movimentar suas riquezas, uma vez que seu sistema de produção escravista começava a definhar. A proibição do tráfego de escravos a partir de 1850, fez com que houvesse, na opinião dos proprietários de terras, uma escassez de mão-de-obra, o que poderia prejudicar a economia Nacional.
A partir da chegada dos imigrantes, no século XIX, o Espírito Santo ganha nova configuração geográfica. As barreiras naturais apresentadas, principalmente pela Mata Atlântica, serão rompidas e o interior, sobretudo o norte do Estado, até então intocado, recebeu novos habitantes.
O Espírito Santo recebeu imigrantes de diversas partes da Europa, principalmente da Alemanha e da Itália que, junto com os portugueses, africanos e indígenas aqui residentes deram os traços principais da cultura capixaba. Igrejas, casarios, calçamentos guardam ainda marcas das influências destes povos. Os sítios históricos de Muqui, Santa Leopoldina, São Pedro do Itabapoana, o casario do Sítio do Porto de São Mateus e as tradições culturais de municípios como Santa Tereza, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante entre outros compõem a riqueza cultural e econômica do Estado
O Espírito Santo é o resultado de uma mistura, um encontro de raças que faz a sua história rica de tradição e costumes. A herança europeia está presente nas montanhas do interior do ES nas danças italianas, pomeranas, alemãs, holandesas e polonesas que resistem e renovam-se. Elas foram incorporadas à cultura popular capixaba e suas apresentações são demonstrações de pura alegria. Na culinária, uma variedade de pratos. Dos italianos, temos o ministroni, anholini, tortei, sopa, pavese, risoto, e a famosa polenta. Dos alemães, chucrutes, geléias, biscoitos caseiros, café colonial e o brot (pão caseiro). Nos municípios de Domingos Martins, Marechal Floriano, Pedra Azul e Santa Teresa municípios originários de colônias de imigrantes europeus, acontecem anualmente festivais que chegam a receber 30 mil pessoas, como a Festa da Polenta, em Venda Nova do Imigrante, Festa do Vinho, em Santa Teresa, a do Morango, em Pedra Azul e a Sommerfest, em Domingos Martins.
(Espírito Santo - um estado singular. Sandra Medeiros p.78)
Santa Teresa e Domingos Martins serviu de berço para dois cientistas de renome nacional e internacional, ambos descendentes de imigrantes europeus: Augusto Ruschi e Roberto Kautsky. O primeiro, destacou-se no estudo dos colibris. Foi biólogo pesquisador dedicado a luta ecológica, até a sua morte. O segundo, também já falecido, além de cientista, era estudioso das orquídeas e bromélias. Outras personalidades descendentes de europeus destacam-se pelo seu empreendorísmo e dinâmica oferecida por sua ação na economia capixaba. Um deles é o ítalo-capixaba Camilo Cola, proprietário do Grupo Itapemirim líder no setor rodoviário no país, e Helmut Meyerfreuld alemão ex-proprietário da Fábrica de Chocolates Garoto uma das três maiores fabricantes de chocolates do Hemisfério Sul. Destaca-se também O Grupo COIMEX pertencente à Família Coser um dos maiores exportadores de café do Brasil junto ao Grupo Tristão também exportador de café.
Arquitetura
Os sítios históricos de Muqui, São Mateus, Santa Leopoldina e São Pedro do Itabapoana também compõem a riqueza arquitetônica do Estado, sendo alguns dos mais significativos do país. No Sul do Estado destaca-se o Sítio Histórico de São Pedro do Itabapoana. A região foi colonizada por fazendeiros mineiros e fluminenses, descendentes de portugueses. Seu casario datado do século XIX, as ruas estreitas, obedecendo à declividade do terreno com calçamento em pé - de - moleque e antigas fazendas centenárias se mantém preservadas. Em Muqui, município vizinho destaca-se o conjunto arquitetônico que concentra o maior acervo de construções ecléticas do Espírito Santo enriquecidas por ornamentos, pinturas decorativas, materiais e técnicas construtivas do final do século XIX e início do século XX, adquirida por uma classe social que se enriquecia e buscava o conforto e novidades vindas da Europa. Os hábitos de influência européia desta aristocracia deixaram uma herança que caracteriza o município de maneira muito especial: o rico patrimônio arquitetônico. Em São Mateus, no norte do Estado, o velho porto fluvial com seu casario tipicamente colonial, constituiu também conjunto arquitetônico de grande valor histórico cujo apogeu sócio-econômico deu-as no final do Império e começo da República. Foi durante o século XIX com o aparecimento de grandes fazendeiros como barão de Timbuí e Aimorés, o Porto viveu sua fase áurea, com o surgimento de belos sobrados e casas comerciais - com suas coberturas em telhas tipo canal e gradios de ferro importados da Europa, impulsionadas pelo intenso movimento de barcos, representavam o poderio econômico do Porto.
Na região central do Estado localiza-se o Sítio Histórico de Santa Leopoldina que possui 38 imóveis; a maioria localizados na sede do município: são residências construídas pelos ricos comerciantes da região, descendentes de imigrantes alemães, austríacos, luxemburgueses, belgas e suíços datadas do final do século XIX e início do século XX. No interior, o Sítio Histórico completa-se com a existência de sedes e armazéns de fazendas e de uma igreja localizada no Distrito do Tirol. Algumas comunidades deste município possuem denominações que homenageiam países e regiões da Europa como Suíça, Tirol, Holanda, e Luxemburgo. E outras guardam, como o município vizinho de Santa Maria de Jetibá, e, o de Vila Pavão, o dialeto Pomerano dividindo com o português a comunicação entre as pessoas. A religião Luterana também é outra importante herança cultural. No município de Domingos Martins o templo luterano está localizado na principal praça da cidade. É o primeiro templo protestante construído no Brasil. Ainda há o tradicional casamento pomerano que tem noiva vestida de preto cuja cerimônia pode durar até três dias.
Como bem já nos registraram os nossos mestres Luiz Guilherme Santos Neves, Léa Brígida de Alvarenga Rosa e Renato Pacheco "graças aos colonos europeus e aos seus descendentes, numerosas povoações e cidades surgiram no interior do Espírito Santo. Muitas regiões, onde eles se localizam, acabaram se tornando municípios do nosso Estado. Além disso, os europeus, sobretudo os italianos que vieram em grande número, tiveram notável influência com suas famílias numerosas na formação do povo capixaba".
Texto: Luciano Ventorim – Historiador

Fonte: http://www.es.gov.br/EspiritoSanto/Paginas/colonizacao.aspx

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Poema: Historiador - Carlos Drummond de Andrade





Veio para ressuscitar o tempo 
e escalpelar os mortos, 
as condecorações, as liturgias, as espadas, 
o espectro das fazendas submergidas, 
o muro de pedra entre membros da família, 
o ardido queixume das solteironas, 
os negócios de trapaça, as ilusões jamais confirmadas 
nem desfeitas. 

Veio para contar 
o que não faz jus a ser glorificado 
e se deposita, grânulo, 
no poço vazio da memória. 
É importuno, 
sabe-se importuno e insiste, 
rancoroso, fiel. 

Carlos Drummond de Andrade, in 'A Paixão Medida'