domingo, 18 de setembro de 2016

Garfield sempre Garfield...


O QUE É UM DRUIDA OU DRUIDISMO?

Os Druidas foram os povos de origem indo-européia que habitava extensas áreas da Europa pré-romana, eram sacerdotes do lendário povo celta. Hoje é uma das vertentes do paganismo, o druidismo. O Druidismo é um caminho espiritual de natureza pagã, todo druida é um pagão. O termo pagão tem origem no vocábulo latino paganus, que era usado para designar alguém que nasce no pagus (o campo, a Natureza). 

Em termos espirituais, portanto, pagão é aquele que acredita na sacralidade da Natureza e de todas as formas de vida. Qualquer forma de paganismo tem suas diversas deidades em seus panteões associadas à Natureza, com deuses e deusas que personificam as grandes forças naturais do mundo em que vivemos. Sendo que cada deus ou deusa cultuado é apenas uma representação alegórica para trazer a essência da natureza e do sentimento a ser realizado. 

Os Druidas eram sacerdotes do antigo povo celta, a natureza e as questões sobre respeito à vida acima de qualquer coisa é o ideal de um Druida, sendo curandeiros cujo possuíam o papel de curar a si mesmo, a comunidade e a natureza. Como os maiores sábios e seres dotados de dons especiais, os Druidas eram conselheiros de reis e sacerdotes das tribos. Praticamente tudo que é sabido sobre os druidas, foi relatado por historiadores gregos e romanos que tiveram contato com os celtas nos séculos que antecederam ao cristianismo. Descreveram como poderosos sacerdotes dos povos celtas, sábios e juristas, poetas, contador de mitos e lendas, místicos e conselheiros. 

Sabemos pouco sobre esses povos tão influenciadores nos mitos e em toda a Europa, porque eles não usavam a escrita para transmitir sua sabedoria, praticando a tradição oral como meio de preservação de seu conhecimento. E assim ao passar dos séculos foi perdendo-se o verdadeiro Druidismo. Contudo a essência do Druidismo, crenças e seus conceitos principais permanecem estáveis até os dias de hoje. A arte do Druidismo contemporâneo pode ser muito diferente dos druidas históricos, pelo fato de vivemos em outros tempos, com outras necessidades. Ao contrário de religiões que têm como base textos sagrados dogmáticos, o druidismo não fica limitado a escrituras ou leis. E com o passar dos séculos hoje é mais que uma religião é um modo de vida onde significativa a capacidade de satisfazer os anseios de quem segue este caminho, cuja natureza é à base da inspiração. 

Um Druida segue as estações do ano, e o ciclo da Natureza. Um Druida não segue regras como qualquer religião, pois tudo é baseado na naturalidade e no amor que a natureza perfeita criou, seus rituais não devem ser escritos, mais sim sentidos no fundo de nossas almas e conectado ao universo com a inspiração que é denominada como magia. O mistério de um Druida é a conexão da alma com a Natureza, outra pessoa, o mundo em que vive, seu trabalho, seu alimento, seus desejos mais intensos. 

Tudo emana energia e nossa alma é energia. Toda energia é sagrada e deve ser respeitada e honrada. Assim como todas as formas de vida sem exceção. O Druidismo é a forma de amor e contato com a verdadeira criação do ser humano: A natureza. O nome Druida significa aquele que tem a sabedoria do carvalho. Seus templos eram as clareiras nos bosques sagrados e sua inspiração era a beleza do universo. 

Hoje, o maior papel de um Druida é transformar e interagir com o mundo para que ele seja um lugar mais equilibrado, mais puro e respeitado como qualquer um antigo sábio do carvalho cuidaria de seu mundo, seu lar na natureza, e sua conexão com o conhecimento e a cura para um planeta cansado de sofrer.

Por Letícia de Castro


Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/mitologia/o-que-um-druida.htm

sábado, 17 de setembro de 2016

AGoulart

AGoulart 
(por Silvio Arruée)

Angela Goulart é artista plástica e fundadora da Associação Projeto Simbiose, que tem como finalidade a divulgação de todas as vertentes da Arte; incentivo a  leitura, e da cultura de um modo geral.
Desde a década de 80 produz a série “Poemas Postais” interpretando poemas e crônicas, de autores capixabas conhecidos pelo grande público ou não, com desenhos em nanquim. 
Angela Goulart  participou de inúmeras exposições no Espírito Santo em espaços alternativos numa busca incessante em levar a arte não apenas a frequentadores de galerias mas ao público em geral. 
Esse ano, AGoulart vem com nova proposta e, cria o livro artesanal “Poemas para Colorir, Desenhos para Rimar”. Essa ideia foi inspirada no livro de Johanna Basford, “Enchanted Florest” e, lançado no Brasil por algumas editoras, como livro para  colorir para desestressar adultos.
Nessa exposição proposta, os Poemas Postais, serão unidos em numero de vinte a 30, por blider clips, ou encadernados com espiral; prontos para serem coloridos, transformando-se em um livro artesanal. 
A opção do blinder clips poderá ser  feita para não danificar os desenhos com a encadernação tradicional; podendo assim ser emoldurados após coloridos.
Importante mencionar que os livros artesanais são únicos, ou seja, não existem desenhos repetidos, onde cada livro é um exemplar único.
A proposta vai mais além, pois além de apresentar o livro artesanal, traz poemas sem desenhos e desenhos sem poemas, na tentativa de interagir com o publica, de forma que cada um desenhe ou escreva durante o evento.
AGoulart traz poemas de autores e o pensamento vivo de artistas de várias vertentes das artes. São eles: Cláudia Colares (Artista Plástica), Geraldo Magela (músico), Ricardo Lemos (escritor e músico), Rogério Leoni (escritor), Wilson Coelho (escritor e teatrólogo), Paulo Stuck Moraes (escritor), Eliane Auer (escritora), Andra Valladares (escritora) entre outros. E a homenagem a Miguel Marvilla.



AGoulart escreve poemas:


Sou Cecília
Serena, assovio a canção de outono
Faço serenata a lua adversa que tanto brilha aqui.
Lua,  personagem e motivo dessa despedida,
Porque, não: já não falo de ti.
Motivo: me vi mulher no espelho.  Espelho cego!
O mundo dos homens me envolve
E me pergunto: até quando terás, minha alma, esta doçura.
Pergunto-te onde se acha a minha vida.
Ó meu Deus, todos acorram tristes
Conheço a residência da dor
Entre gargalhadas e a leveza
Contemplo com humildade a beleza da flor jogada ao rio
Minha herança é o amor
abraço um sonho antigo e a arte de ser feliz
"Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira.".
Assim, alguns dias caminho completa.
Em outros sou apenas ilha
Sou sonhadora, sou poeta
Sou Meireles, sou Cecília.

8 é de Março
Meu dia não é só hoje; abra espaço e me dê passagem.
Vou te contar minha saga; sente-se e prepare-se para essa viagem.
Atravessei fronteiras, corri, fugi, lutei para fazer minha historia.
Ganhei pedras, inveja e desrespeito. 
E como castigo, eu tive fogueiras, calúnias e preconceito.
Recebi dos homens a maldade, ferro, fogo, correntes, traição e agonia.
O dedo em riste acusador da sociedade cruel e vazia.
E mesmo atada, presa e amordaçada, cresci, estudei e reagi
Hoje sou emancipada! 
Entrei em locais proibidos, tive filhos, diplomas e maridos
Aprendi a ler, votei, ganhei o mercado de trabalho e o seu respeito
Aceite o fato: Consegui, vou mais além e agora não tem mais jeito.
Libertei-me do ócio e aceitei-me forte do jeito que sou
Ganhei o direito ao divórcio e adultério não é mais crime.
Você amante infiel, 
Já pode chegar mais tarde
E não me agrida, pois se agora sou vítima. 
Amanhã não temerei ser réu.
Comemore comigo meu dia.
Venci, essa é a verdade.
Não luto apenas por mim e sim pelos direitos de todos
Luto pelo direito à justiça para a humanidade
Meu dia não é só hoje.
Conquistei definitivamente meu espaço
Meu dia é todo o dia
Mas 8 ainda é de Março.



Conheça mais sobre AGoulart no Facebook 

A poesia como uma ferramenta de investigação do mundo


Praticamente desconhecida dos brasileiros até o lançamento de “Poemas”, em 2011, a polonesa Wislawa Szymborska rapidamente amealhou um significativo fã-clube. Prêmio Nobel de Literatura em 1996, ela tem um estilo peculiar, uma forma muito particular de usar a poesia como ferramenta de investigação do mundo. Falando diretamente ao leitor, a quem trata como um igual, sua linguagem é simples e próxima da prosa, e embora seus temas sejam muito variados, todos são como que irmanados pelo olhar da poeta, que combina o tom aparentemente informal ao rigor na construção dos versos. 

Escritos entre 1957 e 2012, em sua maioria desprovidos de qualquer adorno, os 85 poemas reunidos em “Um amor feliz” (Companhia das Letras, tradução de Regina Przybycien, 324 pgs. R$ 44,90) reforçam essa impressão de uma autora que incorpora à poesia não exatamente um método científico, mas a inquietação dos cientistas. Muitos poemas partem de uma indagação: uma vez apresentado o problema, verso após verso Szymborska o estuda e descama, até chegar, de forma geralmente inesperada, ao seu núcleo ou solução, que apontam para algum detalhe inusitado da natureza ou algum aspecto assombroso da vida cotidiana. O mesmo procedimento de observação e análise é aplicado a diferentes assuntos, da biologia à História contemporânea, da mitologia greco-romana ao significado do tempo e da memória, das relações afetivas a questões estritamente literárias, da incomunicabilidade entre seres humanos (ou entre seres e coisas) à indiferença do universo diante de nossos pequenos dramas e conflitos.

Capa do livro da polonesa Wislawa SzymborskaEm edição bilíngue, “Um amor feliz” também traz o discurso feito pela escritora ao receber o Nobel, no qual ela fala sobre o ofício do poeta: “O poeta, se é um poeta de verdade, deve repetir constantemente para si mesmo: ‘Não sei’. Cada poema seu é uma tentativa de resposta, mas, assim que ele coloca o ponto final, já o espreita a dúvida, já começa a se dar conta de que aquela é uma resposta temporária e totalmente insuficiente. E assim tenta mais uma vez, e mais outra, e depois os historiadores da literatura juntam com um grande clipe essas sucessivas provas de sua insatisfação consigo mesmo e as chamam de sua obra.”

Nascida em 1923, Szymborska passou a juventude sob um regime comunista, que apoiou nas décadas de 40 e 50, aderindo inclusive às premissas do realismo socialista. Até 1966 foi membro do Partido. A maturidade trouxe a desilusão com as consequências práticas do socialismo real em seu país, e aos poucos sua poesia se afastou, sem trauma nem alarde, de qualquer conteúdo político, ao mesmo tempo em que incorporava um senso de humor e uma ironia muito particulares. Em 1975 assinou a “Carta dos 59”, na qual os principais intelectuais da Polónia protestaram contra a submissão à União Soviética. 

Subvertendo convicções arraigadas, os poemas de Wislawa Szymborska buscam sempre uma compreensão alternativa das coisas, estabelecendo uma lógica e uma ética próprias. Outro aspecto de sua obra a ser destacado é o caráter narrativo de alguns poemas, com cenários, personagens e ação dramática (como em “Acontecimento” e “Medo do palco”). Avessa a badalações, grupelhos e eventos literários, Szymborska morou a vida inteira na Cracóvia, onde escreveu durante décadas numa revista literária. Morreu em 2012, aos 88 anos. 

Em um dos melhores poemas de “Um amor feliz”, Szymborska estabelece um diálogo com seu duplo para interrogar sua identidade e sua relação com o passado: “Adolescente” narra o seu encontro consigo mesma mais jovem, o que lhe permite observar como as duas são diferentes em seus gostos, convicções, interesses e até mesmo na escrita; as duas, contudo, têm algo em comum: o cachecol tricotado pela mãe – sinal de um laço profundo que a passagem do tempo não desfez. O poema termina assim:

          “Na despedida, nada: um sorriso casual
          E nenhuma emoção.

          Só quando some 
          e na pressa esquece o cachecol.

          Um cachecol de pura lã,
          Com listras coloridas,

         Tricotado à mão para ela
          Pela nossa mãe.

          Eu o guardo ainda.”








Fonte: G1
Link: http://g1.globo.com/pop-arte/blog/maquina-de-escrever/post/poesia-como-uma-ferramenta-de-investigacao-do-mundo.html

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Castelo Rá-Tim-Bum: agora todos os episódios estão na internet!


A TV Cultura disponibilizou em um canal do Youtube os 90 episódios completos de Castelo Rá-Tim-Bum, série produzida pelo canal entre 1994 e 1997. Também é possível assistir a alguns vídeos que apresentam os personagens da trama e as músicas que estavam inseridas na história.

Dirigido por Cao Hamburger, o programa infantil apresenta Nino, um menino de 300 anos que mora com seu tio Victor e a tia-avó Morgana. Por conta da idade, ele nunca frequentou uma escola e sente falta de amigos. Um dia, Pedro, Zequinha e Biba aparecem por lá e, junto com o aprendiz de feiticeiro, passam por inúmeras aventuras.

O canal já tem quase 60 mil inscritos. No elenco do programa estão nomes como Rosi Campos, Sérgio Mamberti, Cássio Scapin e o colunista da Crescer, Marcelo Tas. O programa ganhou até um exposição que agitou São Paulo.

Para assistir clique aqui.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Curiosidades/noticia/2016/09/castelo-ra-tim-bum-agora-todos-os-episodios-estao-na-internet.html

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Domingos Montagner "Ator de 'Velho Chico' morreu aos 54 anos"



Domingos Montagner, o Santo de "Velho Chico", da TV Globo, morreu nesta quinta-feira (15). Equipes de busca localizaram o corpo do ator de 54 anos, preso nas pedras, a trinta metros de profundidade, perto da Usina de Xingó, na Região de Canindé de São Francisco (SE). Domingos deixa a mulher, Luciana Lima, e três filhos.
Ele gravou cenas da novela na parte da manhã. Após o término da gravação, o ator almoçou e, em seguida, foi tomar um banho de rio.
Durante o mergulho, não voltou à superfície. Camila Pitanga, que estava no local, avisou à produção, que iniciou imediatamente a procura pelo ator. Helicópteros do Grupamento Tático Aéreo, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e pescadores ajudaram nas buscas.
Nesta semana, a novela também teve cenas gravadas em Piranhas (AL).

Começo no teatro e no circo
O ator paulistano começou sua carreira artística trabalhando no teatro e em circos. Ele atuou em treze programas de TV, entre séries e novelas, além de nove filmes.
Alguns papéis de destaque foram o Capitão Herculano Araújo de "Cordel Encatado" (2011) e o presidente Paulo Ventura de "O brado retumbante" (2012), seu primeiro protagonista.
Ele também chamou atenção como o Zyah de "Salve Jorge" (2012) e o João Miguel de "Sete Vidas (2015).
Montagner conta, em seu site oficial, que iniciou sua carreira no teatro, através do curso de interpretação de Myriam Muniz, e no Circo Escola Picadeiro.
Em 1997, formou o Grupo La Mínima, com Fernando Sampaio. A Noite dos Palhaços Mudos, de 2008, lhe rendeu o Prêmio Shell de Melhor Ator. Em 2003, criou o Circo Zanni, do qual foi diretor artístico.
O primeiro papel na TV foi no seriado "Mothern" (2006), do GNT, canal da TV por assinatura. A estreia na Globo foi também em seriados: "Força Tarefa", "A Cura" e "Divã". A primeira novela, "Cordel Encantado", foi em 2011. No ano seguinte, estreou no cinema, com uma participação no longa "Gonzaga - de Pai Pra Filho", de Breno Silveira.


Fonte G1
http://g1.globo.com/se/sergipe/noticia/2016/09/domingos-montagner-morre-aos-54-anos.html

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Paulo Coelho lança "A Espiã"

O mago Paulo Coelho, se consagra como um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Seus livros (que venderam milhões e milhões), já foram traduzidos para diversas línguas. 



Sua nova obra é "A Espiã", que conta a história de Mata Hari, uma dançarina que foi acusada de espionagem durante a Primeira Guerra Mundial. 



Adquira o seu!




Particularmente, Coelho é um de meus favoritos da literatura nacional. 







Eu li:
* O Diário de um Mago
* Brida
* O Alquimista
* Nas Margens do Rio Piedra eu Sentei e Chorei
* Onze Minutos
* Monte Cinco
* As Valkirias
* O Demônio e a Stra. Prym

Preciso ler os outros... Viva Coelho!





Si alguien llama a tu puerta - Gabriel García Márquez



Si alguien llama a tu puerta, amiga mía,
y algo en tu sangre late y no reposa
y en tu tallo de agua, temblorosa,
la fuente es una líquida de armonía.

Si alguien llama a tu puerta y todavía
te sobra tiempo para ser hermosa
y cabe todo abril en una rosa
y por la rosa desangra el día

Si alguien llama a tu puerta una mañana
sonora de palomas y campanas
y aún crees en el dolor y en la poesía

Si aún la vida es verdad y el verso existe.
Si alguien llama a tu puerta y estás triste,
abre, que es el amor, amiga mía.

1945

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Poema: Poeminha do Contra - Mário Quintana

Nico e Fulô "pousando" para a foto!

POEMINHA DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

#MárioQuintana

segunda-feira, 23 de maio de 2016

23 DE MAIO: COLONIZAÇÃO DO SOLO ESPIRITO-SANTENSE

A Bandeira do Espírito Santo.

COLONIZAÇÃO
Vasco Coutinho desembarcou na capitania em dia 23 de maio de 1535, desembarcando na atual Prainha de Vila Velha, onde fundou o primeiro povoamento. Como era oitava de Pentecostes, o donatário batizou a terra de Espírito Santo, em homenagem à terceira pessoa da Santíssima Trindade.
Para colonizar a terra, Vasco Coutinho dividiu a capitania em sesmarias - terras abandonadas e que, a partir da inclusão deste sistema, deveriam ser cultivadas, fomentando a agricultura e a produtividade. Esses "lotes" foram distribuídos entre os 60 colonizadores que vieram com ele. Como em Vila Velha não oferecia muita segurança contra os ataques dos índios que habitavam a região, Vasco Coutinho procurou em 1549 um lugar mais seguro e encontrou numa ilha montanhosa onde fundou um novo núcleo com o nome de Vila Nova do Espírito Santo, em oposição ao primeiro, que passou a ser chamado de Vila Velha. As lutas contra os índios continuaram até que no dia 8 de setembro de 1551, os portugueses obtiveram uma grande vitória e, para marcar o fato, a localidade passou a se chamar Vila da Vitória e a data como a de fundação da cidade.
Em seus 25 anos como donatário, Vasco Coutinho realizou obras importantes. Além da construção das duas vilas, também ergueu as duas primeiras igrejas locais: Igreja do Rosário, fundada em 1551 (ainda existente) e a Igreja de São João, ambas em Vila Velha.
Também foram construídos os primeiros engenhos de açúcar, principal produto da economia por três séculos. Uma iguaria que reinou absoluta até 1850, quando foi substituída pelo café. Em 1551, o padre Afonso Brás fundou o Colégio e Igreja de São Tiago. Foi esta construção que, após sucessivas reformas, transformou-se no atual Palácio Anchieta, sede do Governo do Estado.
Com a chegada de missionários, foram fundadas as localidades de Serra, Nova Almeida e Santa Cruz, em 1556. Dois anos mais tarde, a vinda de frei Pedro Palácios resultaria na fundação do principal monumento religioso do Estado: o Convento da Penha. Uma homenagem a Nossa Senhora da Penha, padroeira do Espírito Santo.
Presença Europeia
Nos primórdios da colonização do Brasil, a cruz e a espada marcam a presença europeia, símbolos da fé cristã e do poderio militar. No Espírito Santo, como em outras partes do Brasil que foram colonizados no século XVI, foram frequentes as lutas pela posse da terra com a Igreja Católica atuando no auxílio ao predomínio lusitano através da ação dos jesuítas e franciscanos responsáveis pela catequese dos índios e pela assistência religiosa aos colonos e de seus familiares.
O colonizador português, responsável pela disseminação do idioma e da fé católica, queria a terra para explorar, plantar e produzir, e, produziu também cultura deixada por tradição nas cantigas de roda, nas brincadeiras infantis, na vestimenta, na culinária e, na arquitetura. O Convento de Nossa Senhora da Penha é o monumento mais popular do Estado do ES. Outros remanescentes da arquitetura colonial portuguesa, como as igrejas, que pontificam o litoral capixaba, e as localizadas na capital, Vitória, e, o casario proveniente deste período, enriquece a herança cultural lusitana. Destacam-se a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e o citado Convento de Nossa Senhora da Penha em Vila Velha; a antiga Igreja de São Tiago, hoje Palácio Anchieta, sede do Governo Estadual, a Capela de Santa Luzia, a Igreja de São Gonçalo e a de Nossa Senhora do Rosário e o Convento de São Francisco e do Carmo na capital Vitória. No município de Viana há a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, e a Igreja de Araçatiba, que foi sede de fazenda jesuítica que mantinha um engenho com escravos, residência, senzalas e oficinas. Em Nova Almeida e Carapina distritos do município de Serra, ainda existem a Igreja e Residência dos Reis Magos, sede de uma Redução Jesuítica e a Capela de São João Batista, antiga sede de uma fazenda de jesuítas. Em Guarapari encontra-se a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e em Anchieta localiza-se a Igreja e Residência de Nossa Senhora da Assunção, que completa a herança colonial de tradição jesuítica no período colonial.
A arquitetura colonial secular e urbana, em Vitória está representada pelos sobradinhos geminados da Rua José Marcelino, localizados atrás da Catedral Metropolitana na parte alta da cidade. No bairro de Jucutuquara, a arquitetura rural do século XVIII encontra um exemplar no casarão onde funciona o Museu Solar Monjardin, antiga sede da Fazenda que pertenceu ao Barão de Monjardim. A defesa da entrada da barra era feita por fortalezas como a de São Francisco Xavier em Vila Velha e a Forte de São João ainda existentes.
Este legado cultural do período colonial é, sem dúvida, para as terras capixabas, o mais precioso patrimônio herdado do continente europeu. A partir de meados do século XIX quando o ES recebe grandes contingentes de imigrantes europeus este patrimônio se enriquece ainda mais. Na Europa ocorreram revoltas populares que visavam à unificação dos países que constituem hoje a Itália e a Alemanha. Estas guerras de unificação e o estabelecimento de um novo Estado geraram um grande empobrecimento, causando fome e falta de emprego à população pobre, mais notadamente a camponesa. Os governos desses países impunham "pesados tributos aos pequenos proprietários de terras, que, vivendo numa economia de subsistência e artesanal, eram incapazes de cumprir suas obrigações com o fisco". Esta situação, somado ao desejo de se conseguir riqueza fácil e farta, fez ocorrer uma emigração em massa de suas populações a outros países, onde até se ofereciam aos aventureiros lotes de terras tornando-os pequenos proprietários rurais.
Imigrantes
O Brasil, em particular, precisava de braços para movimentar suas riquezas, uma vez que seu sistema de produção escravista começava a definhar. A proibição do tráfego de escravos a partir de 1850, fez com que houvesse, na opinião dos proprietários de terras, uma escassez de mão-de-obra, o que poderia prejudicar a economia Nacional.
A partir da chegada dos imigrantes, no século XIX, o Espírito Santo ganha nova configuração geográfica. As barreiras naturais apresentadas, principalmente pela Mata Atlântica, serão rompidas e o interior, sobretudo o norte do Estado, até então intocado, recebeu novos habitantes.
O Espírito Santo recebeu imigrantes de diversas partes da Europa, principalmente da Alemanha e da Itália que, junto com os portugueses, africanos e indígenas aqui residentes deram os traços principais da cultura capixaba. Igrejas, casarios, calçamentos guardam ainda marcas das influências destes povos. Os sítios históricos de Muqui, Santa Leopoldina, São Pedro do Itabapoana, o casario do Sítio do Porto de São Mateus e as tradições culturais de municípios como Santa Tereza, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante entre outros compõem a riqueza cultural e econômica do Estado
O Espírito Santo é o resultado de uma mistura, um encontro de raças que faz a sua história rica de tradição e costumes. A herança europeia está presente nas montanhas do interior do ES nas danças italianas, pomeranas, alemãs, holandesas e polonesas que resistem e renovam-se. Elas foram incorporadas à cultura popular capixaba e suas apresentações são demonstrações de pura alegria. Na culinária, uma variedade de pratos. Dos italianos, temos o ministroni, anholini, tortei, sopa, pavese, risoto, e a famosa polenta. Dos alemães, chucrutes, geléias, biscoitos caseiros, café colonial e o brot (pão caseiro). Nos municípios de Domingos Martins, Marechal Floriano, Pedra Azul e Santa Teresa municípios originários de colônias de imigrantes europeus, acontecem anualmente festivais que chegam a receber 30 mil pessoas, como a Festa da Polenta, em Venda Nova do Imigrante, Festa do Vinho, em Santa Teresa, a do Morango, em Pedra Azul e a Sommerfest, em Domingos Martins.
(Espírito Santo - um estado singular. Sandra Medeiros p.78)
Santa Teresa e Domingos Martins serviu de berço para dois cientistas de renome nacional e internacional, ambos descendentes de imigrantes europeus: Augusto Ruschi e Roberto Kautsky. O primeiro, destacou-se no estudo dos colibris. Foi biólogo pesquisador dedicado a luta ecológica, até a sua morte. O segundo, também já falecido, além de cientista, era estudioso das orquídeas e bromélias. Outras personalidades descendentes de europeus destacam-se pelo seu empreendorísmo e dinâmica oferecida por sua ação na economia capixaba. Um deles é o ítalo-capixaba Camilo Cola, proprietário do Grupo Itapemirim líder no setor rodoviário no país, e Helmut Meyerfreuld alemão ex-proprietário da Fábrica de Chocolates Garoto uma das três maiores fabricantes de chocolates do Hemisfério Sul. Destaca-se também O Grupo COIMEX pertencente à Família Coser um dos maiores exportadores de café do Brasil junto ao Grupo Tristão também exportador de café.
Arquitetura
Os sítios históricos de Muqui, São Mateus, Santa Leopoldina e São Pedro do Itabapoana também compõem a riqueza arquitetônica do Estado, sendo alguns dos mais significativos do país. No Sul do Estado destaca-se o Sítio Histórico de São Pedro do Itabapoana. A região foi colonizada por fazendeiros mineiros e fluminenses, descendentes de portugueses. Seu casario datado do século XIX, as ruas estreitas, obedecendo à declividade do terreno com calçamento em pé - de - moleque e antigas fazendas centenárias se mantém preservadas. Em Muqui, município vizinho destaca-se o conjunto arquitetônico que concentra o maior acervo de construções ecléticas do Espírito Santo enriquecidas por ornamentos, pinturas decorativas, materiais e técnicas construtivas do final do século XIX e início do século XX, adquirida por uma classe social que se enriquecia e buscava o conforto e novidades vindas da Europa. Os hábitos de influência européia desta aristocracia deixaram uma herança que caracteriza o município de maneira muito especial: o rico patrimônio arquitetônico. Em São Mateus, no norte do Estado, o velho porto fluvial com seu casario tipicamente colonial, constituiu também conjunto arquitetônico de grande valor histórico cujo apogeu sócio-econômico deu-as no final do Império e começo da República. Foi durante o século XIX com o aparecimento de grandes fazendeiros como barão de Timbuí e Aimorés, o Porto viveu sua fase áurea, com o surgimento de belos sobrados e casas comerciais - com suas coberturas em telhas tipo canal e gradios de ferro importados da Europa, impulsionadas pelo intenso movimento de barcos, representavam o poderio econômico do Porto.
Na região central do Estado localiza-se o Sítio Histórico de Santa Leopoldina que possui 38 imóveis; a maioria localizados na sede do município: são residências construídas pelos ricos comerciantes da região, descendentes de imigrantes alemães, austríacos, luxemburgueses, belgas e suíços datadas do final do século XIX e início do século XX. No interior, o Sítio Histórico completa-se com a existência de sedes e armazéns de fazendas e de uma igreja localizada no Distrito do Tirol. Algumas comunidades deste município possuem denominações que homenageiam países e regiões da Europa como Suíça, Tirol, Holanda, e Luxemburgo. E outras guardam, como o município vizinho de Santa Maria de Jetibá, e, o de Vila Pavão, o dialeto Pomerano dividindo com o português a comunicação entre as pessoas. A religião Luterana também é outra importante herança cultural. No município de Domingos Martins o templo luterano está localizado na principal praça da cidade. É o primeiro templo protestante construído no Brasil. Ainda há o tradicional casamento pomerano que tem noiva vestida de preto cuja cerimônia pode durar até três dias.
Como bem já nos registraram os nossos mestres Luiz Guilherme Santos Neves, Léa Brígida de Alvarenga Rosa e Renato Pacheco "graças aos colonos europeus e aos seus descendentes, numerosas povoações e cidades surgiram no interior do Espírito Santo. Muitas regiões, onde eles se localizam, acabaram se tornando municípios do nosso Estado. Além disso, os europeus, sobretudo os italianos que vieram em grande número, tiveram notável influência com suas famílias numerosas na formação do povo capixaba".
Texto: Luciano Ventorim – Historiador

Fonte: http://www.es.gov.br/EspiritoSanto/Paginas/colonizacao.aspx

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Poema: Historiador - Carlos Drummond de Andrade





Veio para ressuscitar o tempo 
e escalpelar os mortos, 
as condecorações, as liturgias, as espadas, 
o espectro das fazendas submergidas, 
o muro de pedra entre membros da família, 
o ardido queixume das solteironas, 
os negócios de trapaça, as ilusões jamais confirmadas 
nem desfeitas. 

Veio para contar 
o que não faz jus a ser glorificado 
e se deposita, grânulo, 
no poço vazio da memória. 
É importuno, 
sabe-se importuno e insiste, 
rancoroso, fiel. 

Carlos Drummond de Andrade, in 'A Paixão Medida' 


terça-feira, 12 de abril de 2016

Civilizações Cretense e Micênica




Por Me. Cláudio Fernandes

As civilizações cretense e micênica, ou minoica e micênica, desenvolveram-se por volta de 2000 a. C., na região que compreende o extremo sul da Grécia, tendo assim precedido as cidades-estado da civilização grega, como Tebas, Atenas e Esparta. A civilização cretense aflorou na ilha de Creta, que fica no mar Egeu. Ela também é chamada de minoica em razão do lendário rei Minos, que teria fundado tal civilização. Já a civilização micênica estruturou-se na parte continental, em torno da cidade de Micenas, localizada próxima a Atenas.

A cidade-estado que comportou o centro da civilização cretense foi Cnossos. Nessa cidade, o palácio do rei constituía o ponto central de onde partia toda a organização da cidade. Além de ser uma construção monumental, o palácio cretense era uma complexa obra de engenharia. Sua estrutura contava com aquedutos construídos com terracota que irrigavam água a quilômetros de distância. Seu interior foi especialmente projetado para comportar toda a família real e todos os subalternos que gestavam a administração da cidade. Além disso, as paredes dos recintos interiores do palácio eram cuidadosamente ornamentadas e pintadas com a técnica do afresco.

Arqueólogos e historiadores especulam que o fim da civilização cretense remonta ao ano de 1450 a. C. Por volta desse ano, a cidade de Cnossos teria sido destruída ou por um vulcão ou pela pilhagem da civilização micênica. Essa última, a civilização micênica, começou a formar-se por volta de 1600 a.C., tendo atingido o seu apogeu entre 1400 e 1230 a.C. Os micênicos descendiam das tribos invasoras indo-europeias que alimentaram ondas migratórias para o sul da Europa a partir do ano 2.000 a.C, tal como os dórios, jônios, eólios e aqueus, que viriam a construir as outras civilizações da antiga Grécia.

Toda estrutura administrativa, econômica e cultural dos micênicos, que acabaram conquistados pelas tribos dórias, foi herdada dos cretenses — civilização à qual submeteram seu jugo. A característica da centralidade do palácio do rei também esteve presente entre os micênicos, cuja importância foi registrada pelo estudioso do pensamento grego, Jean-Pierre Vernant, como pode ser visto no trecho a seguir:

“Quando no século XII, antes de nossa era, o poder micênico desaba sob o ímpeto das tribos dóricas que irrompem na Grécia continental, não é uma simples dinastia a sucumbir no incêndio que assola alternadamente Pilos e Micenas, é um tipo de realeza que se encontra para sempre destruída, todo uma forma de vida social, centralizada em torno do palácio, que é definitivamente abolida, um personagem, o Rei divino, que desaparece do horizonte grego. A derrocada do sistema micênico ultrapassa largamente, em suas consequências, o domínio da história política e social.” (VERNANT, J.-P. As origens do pensamento grego. São Paulo: Difel, 1984, p.6).

Fonte: Site História do Mundo
Link: http://historiadomundo.uol.com.br/idade-antiga/civilizacao-cretense-micenica.htm


Teseu e o Minotauro de Creta

Para combater o touro de Creta, foi enviado anteriormente por Egeu o jovem Androgeu, que era filho de Minos e sua esposa Pasífae, reis de Creta. Dizem que o motivo foi a inveja pelo desempenho do jovem nos jogos de Atenas. Como o jovem pereceu tentando matar o touro, seu pai Minos resolveu fazer uma guerra contra Atenas, da qual saiu vencedor. Uma variante do mito dá a morte de Androgeu por motivos políticos, pois este teria se unido aos Palântidas, que eram inimigos de Egeu. Minos rumou para Mégara com sua poderosa esquadra e logo partiu para cercar Atenas. Durante a guerra uma peste enviada por Zeus contra os atenienses provocou a derrota de Egeu, o que levou o rei Minos a cobrar uma taxa a cada nove anos. A taxa foi em forma de sete rapazes e sete moças atenienses enviados para Creta, onde seriam colocados no labirinto para serem devorados pelo seu filho monstruoso, o Minotauro. Na terceira remessa de jovens, Teseu estava presente e resolveu intervir no problema. Entrou no lugar de um jovem e partiu para Creta para entrar no Labirinto. Na partida usou velas pretas para navegar e seu pai entregou-lhe um jogo de velas brancas, para usar caso saísse vitorioso na missão.

Com efeito, a linda Ariadne, filha do poderoso Minos, apaixonou-se por Teseu e combinou com ele um meio de encontrar a saída do terrível labirinto. Um meio bastante simples: apenas um novelo de lã.

Ariadne ficaria à entrada do palácio, segurando o novelo que Teseu iria desenrolando à medida que fosse avançando pelo labirinto. Para voltar ao ponto de partida, teria apenas que ir seguindo o fio que Ariadne seguraria firmemente. Teseu avançou e matou o monstro com um só golpe na cabeça.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Para que serviam os castelos?

Monte Saint Michel, Manche, França
Castelo Neuschwanstein, próximo a Munique, Alemanha



A principal função de um castelo não era servir de residência para o senhor feudal, mas sim como uma construção fortificada para proteger o feudo. Para entender porque é que eles surgiram, é preciso pensar sobre a Idade Média (entre os séculos 5 e 15). O período histórico surgiu após a dissolução do Império Romano. "A Europa se fragmentou, se perderam as rotas de comércio e transporte, a economia se organizou em unidades pequenas e independentes, chamadas feudos. Os castelos surgiram para defender essas unidades econômicas e todo feudo se estruturava em torno deles", explica Oswaldo Coggiola, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

Ou seja, um castelo não tem nada a ver com as construções luxuosas dos desenhos animados. O que acontece é uma mistura dos conceitos de castelos e palácios. "Há uma confusão histórica. O palácio existe desde o Império Romano e é basicamente uma casa luxuosa. Seu nome vem do latim 'palazzo', nome dado às residências dos imperadores que ficavam no Monte Palatino, em Roma. Outra característica é que os palácios são tipicamente urbanos, enquanto o castelo é rural", explica Coggiola. Se os palácios já existiam desde o Império Romano, os castelos de pedra surgiram só na metade da Idade Média e seu nome vem do latim "castellum", que significa "local fortificado". 

Desde o Período Neolítico, os homens constroem fortificações. E os castelos são uma evolução de construções como a cidade de Jericó, Tróia e os fortes romanos. Os precursores dos castelos que se tornaram famosos surgiram já no começo da Idade Média, quando góticos, lombardos e francos se apoderaram das construções romanas e criaram as primeiras fortificações rurais. Porém, Kelly DeVries em seu livro Medieval Military Technology (Tecnologia Militar Medieval, inédito em português), conta que o que impulsionou a construção de grandes fortificações foi a invasão de vikings e húngaros. Frente à ameaça, Inglaterra e a Europa continental se sentiram a necessidade de construções capazes de conter o avanço inimigo. Os primeiros castelos surgiram ente os séculos 9 e 10 e foram construídos com madeira e terra. Os mais eficazes tinham um muro de madeira cercando uma colina de terra, com um grande pátio no centro. Porém, os castelos só se tornaram eficazes quando passaram a ser feitos de pedra. Kelly DeVries diz que não há evidências de quando os primeiros foram construídos. O que se sabe é que no século 12 essas construções dominavam a Europa. No início do reinado de Henrique II, em 1154, havia 274 castelos de pedra sob o domínio do rei. 

A estrutura defensiva do castelo era impressionante. A primeira defesa era feita por um fosso que possuía as famosas pontes elevadiças. Ao redor do fosso, havia um muro externo, que poderia chegar a até 10 metros de altura e 8 metros de espessura. Em muitos castelos, esse muro também tinha muralhas, grandes blocos de pedra atrás dos quais os soldados podiam ficar em guarda. Os muros também podiam ter passarelas e aberturas por onde soldados e arqueiros atacavam os inimigos. Logo após os muros vinham as torres, estruturas mais altas e arredondadas, pelas quais se fazia o monitoramento. A porta de entrada, que ficava no muro dos castelos, também era uma estrutura de defesa. Chamada de cabine do portão, era um túnel com aberturas pelas quais se podia lançar flechas ou jogar líquidos quentes nos invasores. No fim do túnel, portas pesadas de madeira ofereciam mais um obstáculo. Depois de tudo isso, ainda podia existir mais um muro e torres internas, com as mesmas estruturas das externas. Em seguida, vinha o pátio, um espaço aberto onde o invasor ficava vulnerável ao ataque vindo das torres. No meio de tudo isso é que ficavam as outras estruturas nas quais viviam o senhor feudal, sua família, soldados e alguns súditos. Atrás dos muros havia a torre onde vivia o senhor feudal, a capela, os estábulos, os poços e os salões de exposição. Há controvérsias sobre qual seria o maior castelo já construído. Mas, segundo O livro Guinness dos Recordes, o maior castelo do mundo ainda em pé é o Castelo de Praga, com 70.000 m2.

Aproveite e acesse esse link da Casa Vogue: 
http://casavogue.globo.com/LazerCultura/noticia/2012/06/top-10-os-mais-belos-castelos-do-mundo.html

Fonte: Nova Escola.
Link: http://revistaescola.abril.com.br/historia/fundamentos/serviam-castelos-474476.shtml

domingo, 13 de março de 2016

Poema: Lágrimas- Vilma Belfort


A lágrima vem
Em imprevista arquitetura
Em silhueta pálida
Escorre cálida
Da subalterna agonia
Do silêncio que espia
Da aurora sem pássaros
A cada sol que passa
Em quase nudez
E cala-se...


Vilma Belfort


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Um aceno para Vilma Belfort - Marataízes/nov/15

Um aceno para Vilma Belfort. Foi filmado poucas horas antes da apresentação d"O Tratador de Estrelas em Marataízes/ES.



segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Papai Noel manda um Feliz Natal!!!


Aloha!

Desejo um 2016 cheio de paz, respeito, amor e saúde para todos os leitores do blog! 

#FelizNatal #FelizAnoNovo


sábado, 19 de dezembro de 2015

Teatro, o palco das superstições



Por Alain Viala

No teatro, mais do que em qualquer outra arte, a ficção pode, como as fórmulas mágicas, agir sobre o real. A ideia é antiga. É bem conhecida a teoria da catharsis (catarse), atribuída a Aristóteles: a representação de uma tragédia suscitaria emoções de medo e de piedade tão violentas que os espectadores se veriam “purgados” do que esses sentimentos pudessem ter de carga excessiva sobre eles. Esse é o lado positivo. Outros, ao contrário, identificaram os perigos desse poder de identificação. Assim, Platão e depois Santo Agostinho – e, seguindo os passos dele, a Igreja – por muito tempo viram o teatro com desconfiança. Ele engendraria superstições para conjurar os temores ligados aos riscos inerentes à prática dessa arte.

Em primeiro lugar, porque o teatro é apresentado diante de um público – suscetível de se revoltar, por exemplo, se considerar a peça de péssima qualidade. Em seguida, porque as salas de teatro por muito tempo foram iluminadas por meio de (muitas) velas – os incêndios não eram raros. Finalmente, porque os próprios atores não são poupados, tanto no plano físico (alguns morreram por ter colocado todas as suas energias num papel, como Molière em O doente imaginário ou, alguns anos antes, Montfleury ao interpretar os furores de Orestes em Andrômaca), quanto no psicológico (expor-se em público pode induzir a humilhações). As superstições constituem, portanto, um indicador das especificidades dessa arte arriscada que é o teatro. Eis alguns exemplos disso.

É sabido que os atores não pronunciam o nome de Macbeth no interior de um teatro. Em vez disso, eles se referem à “peça escocesa”, e o herói epônimo é simplesmente designado como “M.”. Se um ator quebrar essa regra, ele deve rodear três vezes a construção enquanto corre, cuspir e depois bater três vezes à porta – só entrando se os seus camaradas o autorizarem. Geralmente explica-se essa proibição pelo fato de o teatro de Shakespeare, o Globe, ter sido destruído por um incêndio em 1613, por ocasião de uma representação de Macbeth. Mas isso é falso! Tratava-se de Henrique VIII. A explicação da reputação ruim de Macbeth é bem outra. Aliás, existem várias explicações. A primeira vem do conteúdo da peça, na qual intervêm feiticeiras salmodiando estranhas fórmulas mágicas. Ora, na época, era grande o perigo de tais encantamentos. Outra é de ordem econômica: relativamente curta e bem popular, Macbeth era a peça que se encenava repetidamente para reforçar o caixa quando a situação da trupe estava difícil. Macbeth se ligou ao risco de falência.

Numerosas superstições se relacionam também às condições mais modernas do exercício dessa arte. Uma que passou à linguagem comum: diz-se “merda” a um ator para lhe desejar boa sorte. Do século XVI ao século XIX, os espectadores mais prósperos se dirigiam ao espetáculo em carruagens, de modo que a abundância do estrume diante do teatro era um sinal favorável de que o público tinha vindo em grande número.

Outro costume: não pronunciar a palavra “corda”. A origem dessa proibição vem dos  arpinteiros que construíam as salas, os cenários e a maquinaria. Eles adotaram as práticas dos operários da marinha. A bordo de um navio, cada um dos cabos tem um nome específico: brandal, adriça, escota; a palavra “corda” designa o instrumento de suplício de quem recebia uma punição.

A proibição de assoviar dentro de um teatro tem a mesma origem marítima. Em um barco, o mestre transmite com um apito suas ordens aos marinheiros; por sua vez, o gerente de palco indicava as mudanças de cenário por meio de um apito. Se alguma outra pessoa assobiasse nos bastidores, isso poderia provocar uma manobra inadequada. Outro costume proscreve a cor amarela nas vestimentas. Diz-se que é porque Molière morreu em cena quando vestia roupas dessa cor. Mas não é nada disso: no passado, os tecidos eram tingidos com ingredientes com frequência tóxicos. O amarelo, preparado com óxido de cobre, costumava intoxicar os atores.

No final de uma apresentação, é usual oferecer flores às atrizes, mas é conveniente evitar os cravos. Anteriormente, na Comédie-Française, no final da temporada, o diretor com efeito informava às atrizes da renovação de seu contrato fazendo-lhes entregar, na última apresentação, um buquê de rosas. Um ramalhete de cravos significava que o desempenho delas não havia sido satisfatório. Todos esses exemplos atestam que, entre todos os ambientes profissionais, o mundo do teatro é um dos mais ricos em mitos e lendas supersticiosas específicas.

Alain Viala é professor emérito da Universidade Paris-III Sorbonne nouvelle

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