Alguns monstros estão saindo do armário. A mídia está ficando atenta com os animais? Resolvi escrever uma poesia sobre este ato de barbaridade que aconteceu em Mairiporã, em São Paulo.
Essa não foi a última rinha e está longe de ser a primeira. Denuncie!
mais um relatório do Óleo no Espírito Santo. Depois das praias de Conceição da Barra, São Mateus e Linhares. Agora, Aracruz recebe os fragmentos. A Prefeitura Municipal está fazendo cadastro de voluntários. Participe!
já não basta o óleo destruir todo o litoral Nordeste, agora, ele chega aqui no Espírito Santo. Na praia de Guriri, em São Mateus, foram encontrados os primeiros vestígios do óleo. Um pouco do que está por vir.
Está na Constituição sobre o Meio Ambiente:
O artigo 225:
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
O descaso não parece perto do fim, parece na verdade, que nem está perto do começo.
A partir de setembro, o Burger King Brasil disponibilizará em suas lojas um sanduíche feito com carne vegetal, ou seja, que não é de origem animal. Trata-se do Rebel Whopper, resultado de uma parceria da rede de fast food com a Marfrig, uma das maiores processadores de carne animal do mundo.
As empresas anunciaram que o hambúrguer é 100% feito de ingredientes vegetais, mas não reveleram a sua composição exata. A única informação divulgada é que contém soja, além de ter uma composição "zero colesterol". O produto é feito na mesma chapa em que as carnes tradicionais, podendo ter contato com produtos de origem animal.
O Rebel Whopper ainda leva alface, tomate, queijo, maionese, picles, cebola e pão com gergelim. Ou seja, não é vegano. Entretanto, o Burger King declarou que os clientes podem pedir para que o lanche seja montado da maneira que acharem mais agradável – adicionado ou removendo ingredientes.
O Brasil é o terceiro país onde o Burger King investe na venda de carnes vegetais. Nos Estados Unidos, a rede oferece o Impossible Whopper, feito com carne de proteína isolada de soja, proteína de batata e óleos de coco e de girassol. O produto é da empresa Impossible Foods. Uma opção plant-based (a base de plantas) também está disponível na Suécia.
Como veremos neste artigo literário de hoje, os versos do poeta Carlos Drummond de Andrade, que nasceu em Itabira, mesma cidade em que surgiu a Vale do Rio Doce em 1942, carregam um tom de tristeza com os efeitos da mineração.
O poema Lira Itabirana foi publicado em 1984 no jornal Cometa Itabirano e jamais chegou a ganhar a versão em livro. Já a tragédia de Mariana ocorreu em 2015, com o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, que é controlada pela Vale e pela BHP Billiton. E, recentemente, o desastre de Brumadinho reforça a premonição de Drummond.
Podemos dizer que a profunda sensibilidade e criticidade do poeta deixaram no registro do poema aquilo que viria a se tornar real?
Drummond, ao longo de toda sua produção literária, não hesitou em fazer a crítica social do seu tempo. Em muitos outros escritos, o poeta desenhou um cenário realista, melancólico e assombroso da atividade de mineração no seu estado.
Vamos analisar o poema?
“Lira Itabirana”
I
O Rio?
É doce.
A Vale?
Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
II
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
III
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?
Carlos Drummond de Andrade, 1984
Comentários: Observe as escolhas de palavras que, ora abordam os elementos presentes no universo das mineradoras, ora são carregadas de subjetividade e sentimentos de dor, pesar e tristeza, como acontece, por exemplo, com a polissemia da palavra carga, no final da primeira estrofe. Também, a antítese presente em doce e amargo reforça a os sentimentos contrários entre a natureza e a empresa de exploração.
Na segunda estrofe, as figuras de som que aparecem após as rimas, temos ainda “Quantos ais” (onomatopeia), referindo-se às feridas provocadas pela exploração das estatais e multinacionais e De ferro e sem berro, na quarta estrofe, criando a relação entre o elemento natural ferro, que é pesado, e o sentimento guardado por todos. Na segunda estrofe, porém, impressiona o último verso “dívida eterna”, como que parecendo ter previsto a tragédia de Mariana pois, segundo especialistas, a natureza demorará décadas para se recuperar.
Interessante é observar como é tão atual o texto de Drummond sobre a exploração de nossas riquezas naturais. Essa é a magia da Literatura!